Pulse

Etapa 3 / 4 — Método Pulse

Tirar uma melodia de ouvido no instrumento: transformar a escuta em execução

Da voz ao instrumento

Depois de aprender a sentir a pulsação com o corpo e depois a cantar uma melodia, surge naturalmente uma nova etapa: recuperar essa música no instrumento.

O percurso até aqui segue uma progressão simples:

O corpo → A voz → O instrumento

O corpo permite sentir o tempo.

A voz permite ouvir e memorizar a música.

O instrumento permite depois dar forma concreta ao que se ouve interiormente.

Tirar de ouvido é essa etapa em que o ouvido guia o gesto musical.

Antes de procurar uma nota no instrumento, o músico aprende primeiro a ouvi-la.

Exercício Pulse — Tirar de ouvido

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Porquê aprender a tirar de ouvido?

Tocar o que se ouve

Quando um músico deseja aprender uma melodia, recorre muitas vezes a uma partitura, a um tutorial ou a um modelo a reproduzir. Estas ferramentas são úteis, mas nem sempre desenvolvem a capacidade de recuperar uma música por conta própria.

Tirar de ouvido propõe outra abordagem:

Ouço → compreendo → procuro → toco.

O músico aprende progressivamente a transformar uma informação sonora em gesto instrumental.

Esta competência é essencial em todas as situações musicais:

  • aprender uma peça sem partitura;
  • recuperar uma melodia ouvida;
  • acompanhar um cantor;
  • improvisar;
  • tocar com outros músicos.

O instrumento torna-se uma extensão do ouvido

O objectivo de tirar de ouvido não é encontrar notas ao acaso no instrumento.

A meta é estabelecer a ligação entre o que se ouve e o que se toca.

Quanto mais forte se torna esta ligação, mais natural fica o instrumento. Os dedos deixam de procurar uma solução: executam uma ideia musical já presente no ouvido.

O músico desenvolve então:

  • a memória auditiva;
  • o conhecimento do instrumento;
  • a capacidade de antecipar os sons;
  • a sua autonomia musical.

Exercício 1: recuperar o motivo cantado no instrumento

O prolongamento natural do canto

O primeiro exercício de tirar de ouvido retoma uma ideia já trabalhada com a voz: ouvir e repetir.

A diferença é que desta vez a resposta já não se faz com a voz, mas com o instrumento.

O ciclo torna-se:

  1. Ouvir
  2. Ouvir interiormente a frase
  3. Procurar no instrumento
  4. Comparar
  5. Corrigir

O músico não procura, portanto, simplesmente reproduzir uma sucessão de notas. Aprende a recuperar uma frase musical.

Apoios para orientar a escuta sem dar a resposta

Para facilitar a aprendizagem, vários elementos acompanham o exercício.

Estes apoios não substituem a escuta: permitem procurar de forma mais eficaz.

O acompanhamento musical

O motivo é tocado num contexto musical com acompanhamento, nomeadamente uma marimba que interpreta a frase.

Este acompanhamento desempenha vários papéis:

  • dar uma cor musical;
  • ajudar a sentir a pulsação;
  • fornecer um contexto harmónico;
  • permitir verificar se se está bem posicionado.

Mas o acompanhamento não dá directamente a solução. O músico deve sempre recuperar a frase pela escuta.

A partitura rítmica

A partitura apresentada indica apenas o ritmo do motivo.

As alturas não são escritas de propósito.

Porquê?

Porque o objectivo não é ler uma melodia, mas ouvi-la. O músico conhece:

  • quando chegam as notas;
  • quanto tempo duram.

Mas deve descobrir:

  • que notas são tocadas;
  • em que ordem;
  • qual é o movimento melódico.

Esta abordagem desenvolve uma escuta activa em vez de uma simples reprodução visual.

O conjunto de notas

Para evitar uma procura demasiado aleatória, o Pulse propõe um conjunto de notas possíveis.

Por exemplo, se a melodia utiliza apenas:

Do - Ré - Mi

o músico conhece o espaço em que procurar. Mas ainda tem de recuperar:

  • que nota chega primeiro;
  • que notas se repetem;
  • como se organizam no tempo.

O conjunto de notas cria um equilíbrio entre liberdade e apoio: o utilizador é orientado sem ser privado do trabalho de escuta.

Encontrar sem cursor: deixar a música guiar

Uma particularidade importante dos exercícios Pulse é a ausência de um indicador visual que mostre onde se está na frase.

Não há um cursor que indique:

  • quando começar;
  • quando tocar;
  • onde se está no compasso.

Esta escolha é intencional.

Numa situação musical real, um músico não segue uma barra de progresso. Ouve, sente, antecipa. O exercício treina, portanto, esta capacidade:

  • reconhecer o início de uma frase;
  • sentir a sua duração;
  • manter a pulsação;
  • saber naturalmente onde se está.

A música torna-se o principal ponto de referência.

O papel do corpo em tirar de ouvido

Mesmo quando se passa ao instrumento, as aprendizagens anteriores permanecem presentes.

No início, é possível continuar a caminhar durante o exercício.

A marcha ajuda a:

  • conservar a pulsação;
  • manter uma estabilidade rítmica;
  • evitar perder-se enquanto se procuram as notas.

Depois, progressivamente, o corpo já não precisa de exprimir a pulsação com um movimento visível.

A sensação torna-se interior.

O músico recupera então no instrumento o que tinha primeiro construído com o corpo.

Exercício 2: ouvir e responder às variações

Desenvolver a reactividade musical

O segundo exercício vai mais além.

Já não se trata apenas de recuperar um motivo aprendido, mas de desenvolver a capacidade de ouvir uma ideia musical e responder-lhe imediatamente.

É uma competência fundamental para tocar com outros músicos.

Um músico deve ser constantemente capaz de:

  • ouvir;
  • memorizar rapidamente;
  • responder;
  • adaptar-se.
Exercício Pulse — Variações

O princípio do exercício

O exercício alterna momentos de escuta e de execução.

Uma grelha indica as diferentes etapas:

CompassoAcção
1Ouvir uma variação
2Reproduzir a variação
3Ouvir uma nova variação
4Reproduzir
5Ouvir
6Reproduzir

O músico descobre uma frase curta, depois deve tocá-la imediatamente.

Podem ser propostas várias variações para desenvolver a atenção e a memória musical.

Os acordes como contexto musical

Neste exercício, uma grelha mostra também os acordes tocados.

Este elemento acrescenta uma dimensão suplementar.

Uma melodia nunca existe sozinha: ganha sentido num contexto harmónico.

O músico começa assim a perceber:

  • que notas parecem estáveis;
  • que notas criam tensão;
  • como uma melodia evolui sobre os acordes.

É uma primeira abordagem da relação entre melodia e harmonia, que será essencial para a improvisação.

Erros frequentes

Procurar as notas antes de ouvir

O reflexo natural é tocar várias notas até encontrar a certa.

Mas esta abordagem desenvolve menos o ouvido. A pergunta principal deve permanecer:

O que é que ouço?

antes de:

Que nota devo tentar?

Olhar permanentemente para o instrumento

A vista pode ajudar, mas não deve substituir a escuta.

Um músico deve progressivamente ser capaz de saber onde se encontram os sons sem depender apenas dos olhos.

Encontrar as notas certas mas esquecer o ritmo

Uma melodia não é apenas uma sucessão de alturas.

A colocação no tempo é o que dá movimento e carácter a uma frase musical.

Querer memorizar apenas com a reflexão

Uma frase musical deve progressivamente tornar-se uma sensação.

Com a escuta e a repetição, torna-se natural e já não precisa de ser reconstruída conscientemente.

Conselhos de prática

Para progredir eficazmente:

  • cantar a frase antes de a tocar;
  • ouvir várias vezes antes de procurar;
  • começar devagar;
  • usar a marcha se necessário;
  • repetir os motivos várias vezes;
  • privilegiar a precisão em vez da velocidade.

O objectivo não é encontrar rapidamente uma nota, mas reforçar a ligação entre o ouvido e o instrumento.

O que esta etapa prepara

Tirar de ouvido é uma etapa-chave no desenvolvimento de um músico autónomo.

Depois de aprender a:

  • sentir o ritmo;
  • cantar uma melodia;
  • recuperar notas de ouvido;

o músico começa a poder criar a sua própria música. Esta etapa prepara naturalmente:

A improvisação

Improvisar exige ser capaz de ouvir uma ideia musical antes de a tocar.

O jogo em grupo

Tocar com outros músicos exige ouvir, reagir e adaptar-se.

A aprendizagem de peças

Recuperar uma frase musical de ouvido torna-se uma competência natural.

O que este exercício vai desenvolver

Não está apenas a aprender a recuperar algumas notas.

Está a desenvolver competências que serão úteis em toda a sua prática musical:

  • ligar o ouvido ao gesto musical;
  • memorizar frases musicais;
  • antecipar os sons;
  • compreender a relação entre melodia e harmonia;
  • desenvolver a sua autonomia;
  • aprender a tocar o que ouve.