Pulse

Etapa 2 / 4 — Método Pulse

Cantar o ritmo e desenvolver o ouvido musical

Do corpo à voz

Depois de aprender a sentir a pulsação através do movimento, surge naturalmente uma nova etapa: dar voz ao ritmo.

O corpo permite sentir o tempo, a marcha estabiliza a pulsação e as palmas exprimem o ritmo. O canto acrescenta uma nova dimensão: liga o que se sente ao que se ouve.

A voz é o nosso primeiro instrumento. Antes de tocar uma melodia num instrumento, é preciso ser capaz de a ouvir interiormente e de a reproduzir.

No método Pulse, o canto torna-se uma ponte entre o ritmo sentido pelo corpo e a música tocada num instrumento.

Exercício Pulse — Canto

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Porquê cantar?

A voz cria uma ligação directa entre o ouvido e o gesto

Quando um músico aprende uma melodia no seu instrumento, procura muitas vezes de imediato as notas certas com os dedos. No entanto, antes do gesto, há um passo essencial: ser capaz de ouvir a música interiormente.

Cantar permite desenvolver esta ligação entre o ouvido e o corpo.

Uma melodia que se consegue cantar já está parcialmente compreendida e memorizada. O músico deixa de procurar sons ao acaso no instrumento: sabe o que pretende produzir.

O canto desenvolve assim várias competências fundamentais:

  • a memória musical;
  • a precisão do ouvido;
  • a capacidade de antecipar os sons;
  • a compreensão dos movimentos melódicos.

Se uma frase musical pode ser cantada, torna-se muito mais fácil recuperá-la e tocá-la.

O canto no Pulse: sentir o ritmo e as alturas

No Pulse, o canto não se limita a um trabalho rítmico. O objectivo é cantar verdadeiramente a melodia, com os seus ritmos e alturas.

O músico trabalha assim duas dimensões complementares:

O ritmo

As sílabas rítmicas permitem dar uma linguagem simples às diferentes durações.

No primeiro volume, os exercícios utilizam principalmente as sílabas:

  • ta nos tempos;
  • di para os contratempos.

Permitem sentir e nomear os movimentos rítmicos sem ter de passar imediatamente por uma leitura teórica.

O ritmo torna-se algo que se pode ouvir, dizer e sentir.

As alturas

Em paralelo, a melodia é cantada com as suas notas verdadeiras.

O músico aprende assim a coordenar duas informações essenciais:

  • quando o som deve chegar;
  • que altura deve ter.

Esta associação entre ritmo e melodia é fundamental em qualquer prática musical. Uma frase musical não é apenas uma sucessão de notas: é um movimento no tempo.

Porquê usar sílabas rítmicas?

As sílabas rítmicas dão uma linguagem ao ritmo.

Antes mesmo de ler uma partitura ou falar de valores rítmicos, o músico pode sentir e exprimir o que ouve.

Dizer:

« ta-di ta »

permite representar um movimento rítmico de forma simples, imediata e musical. Estas sílabas facilitam vários aspectos da aprendizagem:

  • memorizar um ritmo;
  • identificar uma organização temporal;
  • comunicar uma ideia rítmica;
  • associar melhor a escuta e o movimento.

Não substituem a leitura musical, mas criam uma ponte entre a sensação e a compreensão.

Porquê continuar a caminhar e a bater palmas?

Quando se acrescenta o canto, pode parecer mais simples parar os movimentos do corpo para se concentrar apenas na voz.

No entanto, é precisamente a manutenção destes elementos que torna o exercício particularmente eficaz.

Na prática musical, ritmo, melodia e movimento nunca estão completamente separados.

Nos exercícios Pulse:

  • a marcha mantém a pulsação e mantém o corpo ligado ao tempo;
  • as palmas exprimem a estrutura rítmica;
  • a voz desenvolve o ouvido e a melodia.

Esta coordenação ensina o músico a fazer várias coisas ao mesmo tempo, como terá de fazer quando tocar um instrumento ou em grupo.

O corpo permanece assim uma referência, mesmo quando a atenção se volta para a melodia.

Ouvir e repetir com a voz

Como nos exercícios de percussão corporal, o trabalho começa sempre pela escuta.

O objectivo não é simplesmente cantar ao mesmo tempo que a aplicação, mas desenvolver uma verdadeira escuta interior.

O processo segue várias etapas:

Ouvir

O músico descobre a melodia, o seu ritmo, os seus movimentos e a sua estrutura.

Antes de cantar, reserva tempo para ouvir.

Sentir

A melodia começa a tomar uma forma interior. Ritmo, alturas e movimentos tornam-se gradualmente mais familiares.

Cantar

A voz traduz o que o ouvido compreendeu.

O objectivo não é produzir de imediato uma interpretação perfeita, mas aproximar progressivamente o que se canta do que se ouve.

Comparar e ajustar

A escuta do modelo permite identificar as diferenças e afinar progressivamente a percepção.

Cada repetição desenvolve o ouvido.

Ir mais além: nomear as notas

Para os músicos que desejam aprofundar o trabalho de ouvido, é possível uma etapa adicional: tentar identificar as notas da melodia.

No Pulse, a partitura apresentada mostra apenas a dimensão rítmica. As alturas não estão escritas para encorajar a escuta activa.

O músico pode então tentar:

  • ouvir a melodia;
  • encontrar as notas de ouvido;
  • cantá-las usando o seu nome;
  • verificar depois com o seu instrumento.

Este exercício constitui uma primeira abordagem ao repique de ouvido.

Desenvolve progressivamente:

  • o ouvido relativo;
  • o reconhecimento dos intervalos;
  • a consciência dos movimentos melódicos;
  • a capacidade de recuperar uma melodia sem partitura.

Erros frequentes

Concentrar-se apenas nas notas

É frequente procurar sobretudo cantar as alturas certas e esquecer o ritmo.

No entanto, uma melodia é indissociável do seu lugar no tempo. A pulsação deve continuar a viver no corpo.

Parar de caminhar para cantar melhor

Quando o canto se torna mais difícil, o reflexo pode ser perder a marcha.

Mas são precisamente nestes momentos que o corpo é mais útil: mantém a estabilidade enquanto a voz trabalha.

Procurar imediatamente a perfeição

O objectivo principal é desenvolver a escuta.

Uma nota ligeiramente desafinada ou um ritmo imperfeito são informações que permitem ao cérebro aprender.

Querer encontrar as notas demasiado depressa

Identificar as notas é uma etapa avançada. Antes de nomear um som, é preciso primeiro aprender a ouvi-lo.

Conselhos de prática

Alguns minutos regulares são muitas vezes mais eficazes do que uma longa sessão ocasional.

Para progredir:

  • ouvir várias vezes antes de cantar;
  • manter uma marcha natural;
  • começar devagar;
  • repetir isoladamente as passagens difíceis;
  • tentar cantar sem a aplicação para verificar o que está realmente memorizado.

O objectivo não é apenas ter sucesso num exercício, mas desenvolver um ouvido mais atento e mais autónomo.

O que esta etapa prepara

O canto é uma etapa essencial entre a percepção corporal e o jogo instrumental.

Quando o músico é capaz de sentir um ritmo e cantar uma melodia, já possui uma representação interior da música. O instrumento torna-se então um meio de exprimir algo que já existe no ouvido.

Esta etapa prepara naturalmente:

O repique no instrumento

Recuperar uma melodia torna-se mais simples quando já é ouvida interiormente.

A improvisação

Um músico que ouve os movimentos melódicos pode criar com mais liberdade e desenvolver a sua própria linguagem.

A interpretação

Uma melhor ligação entre ouvido, corpo e instrumento permite tocar com mais precisão e expressão.

O que este exercício procura desenvolver

Quando canta estes exercícios, não trabalha apenas uma melodia.

Desenvolve competências essenciais para qualquer prática musical:

  • ligar o ouvido ao corpo;
  • memorizar uma frase musical;
  • sentir a relação entre ritmo e melodia;
  • antecipar os sons;
  • desenvolver o ouvido relativo;
  • preparar a passagem para o instrumento.

O canto transforma uma música ouvida em música interior.

É esta capacidade de ouvir antes de tocar que permite depois tocar com mais liberdade, precisão e criatividade.